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2.3.12

Personagens de Carnaval


Recordar-se de um feriado de carnaval vivido na infância. Para muitos, algo vago, sem importância, mas para uma menina de apenas oito anos, cheia de sonhos e de ânsia para ver as festividades que logo chegariam, era uma imensa vitória. Pela primeira vez a bela menininha, de cabelos lisos, que queria ser mulher, iria para a festa. Recebera dias antes uma linda fantasia de rosa, dada pela mãe de sua amiga, feita por ela própria. A irmã da pequena, que assim como ela, todos os anos acompanharam a festa de longe, foi contagiada pelo brilho de felicidade instalado na pequena e resolveu de que iria acompanhá-la. A mãe de ambas mostrou-se intensamente alegre por ver suas filhas animadas. 
O dia finalmente chegou! Pela manhã, mãe e filhas se prontificaram; a mais velha separava as fantasias, enquanto sua mãe enrolava os cabelos da pequena para que ficassem frisados até a hora da festa e suas outras irmãs cuidavam dos afazeres domésticos. Ao longo do dia a ansiedade as tomara por inteiras; parecia que a hora não passava. 
É chegada a hora. Fantasiaram-se de rosa e borboleta, passaram batom forte, ruge, pegaram confete e foram para rua viver, pela primeira vez, a alegria de serem personagens de carnaval.
Laíse Costa e Queila Carvalho
Postado por Clarice Lispector às 18:42 0 comentários
2.3.12

Personagens de Carnaval

Recordar-se de um feriado de carnaval vivido na infância. Para muitos, algo vago, sem importância, mas para uma menina de apenas oito anos...
Postado por Clarice Lispector às 18:42 0 comentários
1.3.12

O retorno da Felicidade

     Eu era magra, alta, de cabelos escuros e sedosos, tinha uma pele de dá inveja, um corpo moldado como o de uma escultura e o principal: meu pai era dono de uma livraria. Enquanto ela era gorda, baixa e de cabelos crespos. Como se não bastasse, andava com os bolsos da blusa cheios de bala.Um dos seus maiores desejos era que eu lhe presenteasse com livros em seu aniversário. Mas isso era muito para mim, pois por mais que a livraria do meu pai tivesse muitos livros, eu tinha ciúmes de qualquer um deles e queria todos para mim.      
Mas a bondade existente em mim era superior a qualquer ciúme bobo, e por isso me submeti a emprestá-la o livro mais desejado: A menina que roubava livros, Markus Zusak.      
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. e acima de tudo, era o meu preferido.Como aquela menina devia me odiar, eu que era imperdoavelmente bonita e que poderia ler quantos livros quisesse, enquanto ela sonhava em ter uma estante cheia e tinha apenas uns poucos livrinhos baratos. Apesar do medo dela avacalhar meu precioso livro, me dispus a passar em sua casa para entregá-lo. E o fiz. Bem. Não diria que aquilo era uma casa, a situação era precária, parecia mais um barraco. Enfim, combinamos que em sete dias eu voltaria para buscar o livro.     Passou-se uma semana que mais parecia um mês, estava ansiosa para ter o meu livro de volta, então fui buscá-lo. Chegando lá, fiquei surpresa com a frieza daquela menina que a pouco estava a me implorar pelo empréstimo, ela não me mandou nem entrar. Olhando bem para os meus olhos, disse-me que não havia terminado de ler, e que eu voltasse no dia seguinte.                                 Boquiaberta, saí devagar, mas logo a esperança de ter meu livro de volta em breve me tomava toda.      
Mas não ficou simplesmente nisso, o plano secreto daquela menina que se mostrava tão meiga quando desejava o livro e tão fria quando o tinha em mãos, era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: ainda não tivera tempo de terminar a leitura, pois as atividades escolares e domésticas estavam tomando o seu tempo, que eu voltasse no dia seguinte.                    Mal sabia eu que mais tarde, no decorrer da vida, o drama do ‘’dia seguinte’’ com ela ia se repetir com meu coração batendo.    
 E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido. Eu já começava a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer.O que ela teria feito com meu livro? Será que ele ainda existia?    
 Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar nenhum dia sequer. Às vezes ela dizia que tinha adiantado a leitura, mas falava ainda muito para ela terminar. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob meus olhos espantados.    
 Até que um dia quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo mais uma vez a sua recusa, apareceu seu pai. O senhor achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo a conversa. Até que esse bom pai entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas você leu esse livro em três dias!    
 E o pior para esse homem não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ele pensava silenciosamente sobre a potência de perversidade de sua filha desconhecida.        
 Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai devolver o livro agora mesmo. E para mim: e você não empreste mais nada à minha filha.      
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que não disse nada. Peguei o livro. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito, quanto tempo levei para chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.      
Chegando em casa, não parava de olhá-lo, não acreditava que ele estava ali, inteiro, sem nenhuma deformação. Horas depois o abri e li algumas linhas maravilhosas. Não parava de sorrir para aquela coisa que me havia retornado: a felicidade. Eu nem me lembrava mais do quanto era bom ter aquele livro, que eu tanto gostava, de volta à minha cabeceira.    
 Às vezes sentava-me na rede, com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.  
 Não era mais uma menina com o livro: era uma mulher com seu amor de volta.


                                   Carolina Pereira e Maria Clara Andra
de
Postado por Clarice Lispector às 23:19 0 comentários
1.3.12

O retorno da Felicidade

     Eu era magra, alta, de cabelos escuros e sedosos, tinha uma pele de dá inveja, um corpo moldado como o de uma escultura e o principal...
Postado por Clarice Lispector às 23:19 0 comentários

Felicidade Clandestina [Parte II]


"Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só pra depois ter o susto de o ter."
  A oportunidade surgiu quando pensei em fazer amizade com a dita cuja. Haveria de ser difícil, já que não fazia o gênero nem o tipo de pessoa que ela estava acostumada a ter como amiga. E cá entre nós, não posso ser hipócrita de dizer que não era uma menina bonita, se não era, perto dela me tornava uma princesa. Podia a gordinha ser dona do meu paraíso, mas sua imagem era de dar pena. Talvez pra compensar a sua falta de beleza, pisava nas pessoas fingindo-se conhecedora de inúmeros assuntos que segundo ela, havia aprendido ao ler os livros da iluminada biblioteca. Dava-me raiva vendo-a destilar sua crueldade sabendo de minha ânsia, fingindo dar importância aos volumes quando nem deveria entrar na imensa sala onde eles estavam.

  O fato é que me aproximei e engolindo meu orgulho pedi emprestados alguns títulos que há muito me interessavam. E ela soprava uma brisa de esperança me prometendo os emprestar, pra depois inventar mil desculpas. Primeiro os esqueceu na mesa, depois os colocou em outra das muitas mochilas que tinha, num outro dia o pai a teria proibido de emprestar seus livros. Isso quando não inventava ter emprestado a primos, vizinhos e outros amigos. Eu abafava minha raiva, e em pensamento acreditava que a justiça seria feita.  


Fui à casa da malvada e na sua ausência, pedi à mãe, que eu não conhecia, mas que diferente da filha tinha ares de gente humilde. Perguntei-me de onde havia tirado a menina tanta feiura e maldade, já que a bela mãe não somente me entregou os títulos que eu tanto queria e ainda deu-me acesso á biblioteca particular sempre que quisesse. Obviamente isso não agradou a filha, mas a mim isso não interessou muito. A justiça havia chegado e minha felicidade agora era visível. Meus olhos foram alimentados, minha fome de ler por muito tempo sendo saciada naquele paraíso que hoje, depois de tanto tempo eu pude copiar e fazer pra mim.
{Ana Lara Trindade e Caroline Lina.}
Postado por Clarice Lispector às 19:18 1 comentários

Felicidade Clandestina [Parte II]

"Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só pra depois ter o susto de o ter."    A oportunidade surgi...
Postado por Clarice Lispector às 19:18 1 comentários

Felicidade Clandestina [Parte I]

"Não era mais uma menina com seu livro: era uma mulher com seu amante"

 Dentre todos os ensinamentos e códigos morais que meus pais sempre fizeram questão de nos passar, a demonização da inveja esteve primordiavelmente nos principais tópicos das longas conversas, fossem elas nos minutos antes de dormir ou nas poucas vezes em que comíamos todos juntos à mesa. Lembro bem das palavras do pai que nos obrigava a não deixar nada nos pratos, alegando quantos lá fora gostariam de ocupar uma daquelas cadeiras. Dizia ele de seu jeito sábio, mas rude: a única inveja que Deus não castiga é de poder ter o que comer e onde dormir. Tem vocês isso tudo e mais um monte, vão ter inveja então do quê?
   
 Não sabendo ele que em meu íntimo, por mais que tentasse afastá-la de todas as maneiras, só crescia uma vontade de ocupar não uma cadeira à mesa, mas qualquer cantinho onde pudesse me sentar e saborear um dos tantos livros que preenchiam a vasta biblioteca particular de uma de nossas colegas de escola. Meu pai jamais entenderia que minha inveja era condizente a que ele dizia não ser julgada por Deus. Eu tinha fome de ler e a diferença só estava em por onde o alimento viria a entrar. Meus olhos quando em frente a um livro, eram acrescidos da capacidade de mais dois sentidos. Eu podia sentir o cheiro das páginas, podia sentir o seu gosto. Nesse sistema de alimentação, diferente do comum à boca, entrava em cena pra balbuciar cada palavra ou pra ficar aberta perante as surpresas que cada linha proporcionava.

 Eu acessava mundos, me tornava os personagens e tinha depois o prazer de me imaginar vivenciando aquelas mesmas situações, aquelas mesmas sensações. Revoltava-me, no entanto, como poderia alguém com tal oportunidade não fazer uso dela? A minha colega, filha do dono da formidável biblioteca, ou paraíso como via aquela imensidão de livros me fitando, tinha seus interesses em outros focos, terrivelmente tão banais que me envergonho de dizê-los. Preferia a gordinha ruiva, fazer fofoca da vida alheia ou humilhar quem segundo ela: não tinha o que rato roer. Não bastava tanta arrogância, tinha ainda que ser burra. Burra ao ponto de, penso eu, jamais ter lido um livro sequer daqueles tantos, a menos que um deles fosse um manual de crueldade.
  Eram, portanto, dois pólos opostos de felicidade. A minha, não poderia estar completa com tamanha injustiça. Minha fome por leitura era muito pouco saciada. Ao contrário da outra, minha biblioteca se resumia a meia dúzia de volumes extremamente gastos e que há muito eu já os havia decorado. Feliz seria eu quando pudesse ter pleno acesso aos quantos livros bem quisesse. Os iria engolir, a todos, mas com cuidado pra que durasse por toda vida minha fonte de alimento. 
{continua...} 
Postado por Clarice Lispector às 18:33 0 comentários

Felicidade Clandestina [Parte I]

"Não era mais uma menina com seu livro: era uma mulher com seu amante"   Dentre todos os ensinamentos e códigos morais que m...
Postado por Clarice Lispector às 18:33 0 comentários
29.2.12

Bem vindos: Lispectorius Inside


Olá, 


Viemos apresentar à vocês o "Lispectorius", blog criado com o intuito de divulgar os textos produzidos pela turma de 3° de meio ambiente ( IFBA- Campus Vitória da conquista), os quais são retextualizações de algumas obras da consagrada escritora e jornalista brasileira Clarice Lispector.


Nestes textos nós modificamos as criações, os personagens, os enredos; expressamos nossas opiniões, para que pudéssemos assim demonstrar uma vontade de resultado diferente para cada obra.


Esperamos apreciem nosso blog.




Postado por Clarice Lispector às 20:48 0 comentários
29.2.12

Bem vindos: Lispectorius Inside

Olá,  Viemos apresentar à vocês o   " Lispectorius " , blog criado com o intuito de divulgar os textos produzidos pela turma ...
Postado por Clarice Lispector às 20:48 0 comentários